AnsiedadeErick Vicente
roça os lábios crus com uma delicadeza não calculada
em todos os dentes o mesmo desejo encharcado de saliva
a garganta arranhada de tanto engolir refeições imaginárias
e olhos desapercebidos procuram verdades de fumaça
na poltrona alaranjada mantém a mesma postura confortável
com os dedos desliza sob os botões variados do controle
no televisor um volume baixo zumbisa em ecos pela sala
mas na febre fria do inverno junino sua atenção destacada falha
viaja dentro de sua falta de sentidos como se não tivesse escolha
estipula e especula sobre o presente e futuro de dúvidas baratas
gasta seu vigor numa busca atrapalhada por um tesouro sem mapa
e só se mobiliza com a fúria necessária quando toca o telefone
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